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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Gente Carente Conversa Até Com Serpente























Por Roberta Lima

Adaptei a frase que ouvi outro dia que assim dizia: “mulher carente conversa até com serpente”. Apesar de saber que nós mulheres somos seres que gostam de verbalizar sem economias os pensamentos e sentimentos...não compartilho do reducionismo da frase tanto na vida dita real, como na vida virtual.

Dizem as estatísticas que sobram mulheres e faltam homens no país, o que vejo sobrando de fato é a tal da carência em ambas as partes.

Há um afã por carinho, atenção, compreensão. Vejo pessoas com seus “peguetes”, vejo outras com suas idiossincracias e que tomam a solidão por companhia, vejo casados, noivos, namorados, enfim, vejo gente se relacionando com gente e ainda assim se sentindo carente.

Há a solidão solitária, pleonasticamente falando e há a solidão à dois, pertubadoramente se constatando.

Solidão que gera carência e pelo que vejo no início de todas as coisas, lá no Éden, pode ter levado Eva a bater papo com uma serpente, a ser seduzida por uma proposta aparentemente melhor do que o seu companheiro Adão lhe havia feito.

Fico me perguntando: será que Adão estava muito ocupado trabalhando? Seria ele o primeiro workaholic da história? A culpa é de Eva? A culpa é de Adão? A culpa é da serpente? A culpa é da carência? A culpa é de Deus?

A tendência humana é culpar alguém, até mesmo Deus, mas divagações à parte, o fato é que a solidão pode ser perigosa. Como diz Lya Luft:

“A solidão é um campo muito vasto para ser atravessado a sós”

Creio que nosso Pai Celestial não optou em criar Eva para Adão apenas em prol da criação. Sabemos que biologicamente há meios de reprodução assexuada, essa poderia ter sido uma das opções de Deus, mas não foi! Fomos criados de forma perfeita, com hormônios, sensibilidades, instintos, fomos também planejados para dar e sentir prazer na companhia de outro alguém que como Adão exclamou seria “ossos de seus ossos e carne de sua carne”.

Mas o fato é que está cada vez mais difícil encontrar pessoas para partilhar a vida, a intimidade. Aprendi à duras penas e hoje sempre digo e repito aos amigos: “afinidade podemos ter com muitos, intimidade é para poucos”.

E é aí que muitos se atropelam e tropeçam, no desejo por um relacionamento, por uma intimidade, por uma companhia, acabam dialogando e desnudando-se diante de pessoas que muito lembram a serpente do Éden.

E o que tal conversa pode render é por vezes extremamente ilusório e danoso. Li recentemente que 25% dos divórcios nos EUA se devem ao Facebook (não me pergunte se a estatística está correta), só estou usando a mesma como pano de fundo para ilustrar o fato de que pessoas carentes se conectam a pessoas carentes que podem vir a ser também pessoas-serpentes que te convencerão a ter os “olhos abertos e ter vidas como de deuses” (Genêsis 3.5) e que a vida tem mais coisas, mais possibilidades, longe do cônjuge para aqueles que são casados, longe do noivo, do namorado, há um mundo de aventuras, por que não tentar? Por que não se jogar?

E nisso, muitos se ferem, enveredam por caminhos de não-VIDA e acabam descobrindo que os olhos se abriram para algo que pode lhes trazer uma miscelânea de sentimentos mas que NÃO terá embutido em seu pacote paz e felicidade.

Sei que dia 12 de junho, dia dos namorados, se aproxima e muitos ligam o botão carência no modo turbo e acabam atirando para todos os lados. Acho que já disse isso por aqui: quem atira para todos os lados acaba atirando em si mesmo. Dilui-se tentando agradar a alguém que nem sabese quer, mas que acha que precisa para suprir a carência.

Vejo a carência como um buraco sem fim e buracos sem fim não tapamos. Simplesmente desviamos deles quando os encontramos. O fato é que cedo ou tarde. Muito ou pouco. Sozinhos ou acompanhados nos sentiremos carentes. O que percebo é que é necessário saber lidar com algo que não é novo, mas é comum ao fato de SER humano.

Quando aquele frio no coração bater, quando aquela vontade de viver aquela cena de comédia romântica chegar, quando a imaginação voar pensando em uma festa rodeada de amigos especiais a te alegrar, enfim...quando essas horas chegarem.

Respire fundo. Assuma-se carente. Proteja-se.

Por favor meninos e meninas: não liguem para aquele (a) ex que ainda é apaixonado por você. Não vá vasculhar as redes sociais dele (a) e muito menos vá caçar alguém.

Neste momento você pode estar pensando: “peraí” Roberta, quem procura acha. Concordo. Quem procura SEMPRE acha, mas acredito que a probabilidade de encontrar encrenca, confusão e até mesmo “serpentes falantes” nessas horas é maior.
Protejam-se queridos. Fácil não é.

Há horas em que é preciso desligar o telefone, desconectar-se da internet, evitar certos lugares.

Uma oração que recorrentemente faço por mim mesma é muito simples e diz assim: “Senhor, livra-me de mim mesma”. Muitas vezes somos nossos piores algozes. Por isso friso tanto a questão do auto-conhecimento (que por vezes parece mais autoestranhamento). É preciso saber quando levantar os muros de proteção. Carência dá dor de cabeça, escraviza, oprime, tiraniza e cega para aquilo que realmente pode ser bom e pode estar te esperando na próxima esquina. A esquina que cruza com o descanso, com o bem estar consigo mesmo, com a alegria de se saber boa companhia para si próprio.

Enfim...Não estou aqui para dar receitas prontas, pois como disse uma das minhas escritoras preferidas: “não me deem fórmulas prontas, pois não espero acertar sempre.” É só um pequeno alerta, numa semana em que talvez mais pessoas se tornem suscetíveis à carência diante de tantas propagandas e vitrines coloridas. Relaxem queridos e queridas. Como diz uma piada recorrente nas mídias sociais:

Por que tenho que passar o dia do namorado (a) com um namorado (a)? Eu não passo o dia do índio com um índio e nem o dia da árvore com uma árvore.”

A pressão sempre vai existir para que tenhamos alguém para chamarmos de “nosso”. E quando o “nosso” vier a existir, haverá a pressão para ter filhos com o “nosso” e por aí vai...

Não fique refém da opinião alheia, não fique refém da sua carência.

Termino com uma frase que é quase mantra para mim (depois de usar a expressão mantra, talvez queiram me apedrejar, é só licença gospel poética pessoal...rs). Mas vamos ao meu mantra, ops, frase que assim diz:

“Não procure por ninguém, não se deixe escravizar pela carência e você será achado por aquilo que é bom” [Caio Fábio]

Descansem e aquietem-se, sabendo que o Senhor é aquele que cuida de cada detalhe de nossas vidas e se tão bem trata as aves do céu e os lírios do campo, quão melhor de nós cuidará, se valemos tão mais do que as aves?


Em Amor,

Roberta Lima (Via Meninas do Reino)

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